Um breve olhar sobre a edição de 2026 do Book 2.0

Nos dias 15 e 16 de agosto, decorreu em Lisboa, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, a 4.ª edição do Book 2.0, promovido pela APEL - um encontro internacional dedicado à "cadeia de valor do livro" e a todas as temáticas relacionadas com a relevância das obras impressas para a humanidade - desde a invenção de Gutemberg até aos tempos incertos que o futuro nos reserva.
Marcaram presença no palco personalidades tão distintas como o ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-Ministro da Educação e Ciência Nuno Crato, a cantora, compositora e escritora Luísa Sobral, a autora Cara Hunter, a ex-Primeira-Ministra da Finlândia Sanna Marin, a autora Mafalda Ribeiro, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto Margarida Balseiro Lopes e o Presidente da República António José Seguro.
Nesta sociedade cada vez mais digitalizada e imediatista, em que parece não haver tempo para parar, escutar e pensar (as crianças recebem cerca de 250 notificações por dia nos seus telemóveis!), os oradores mostraram-se unanimemente preocupados com o facto de os livros serem postos de lado, em prol dos ecrãs e das leituras superficiais, dado que são as leituras realizadas em extensão e profundidade que mais benefícios oferecem, tanto em termos cognitivos como relacionais.
As perspetivas, porém, foram essencialmente otimistas: os especialistas que partilharam com o público as suas investigações, experiências e conclusões acreditam que o futuro dos livros não é sombrio, cabendo aos educadores e professores a importante tarefa de continuar a pugnar para que o contacto lento, prazeroso e consequente de crianças e jovens com a leitura continue a dar frutos. Quanto à "ameaça" da inteligência artificial, ficou claro que esta está longe de impedir os escritores de continuarem a oferecer obras literárias a quem as aprecia: afinal, o processo de escrever e partilhar o que se escreve é tão importante para o próprio como o de praticar exercício físico: é um ato que provoca bem-estar, pelo que não faria sentido que outros o praticassem por nós. Do mesmo modo, ler também faz bem à saúde, contribuindo para baixar os níveis de ansiedade. Assim, haverá sempre escritores e leitores a comprovar que os livros autênticos são insubstituíveis.
O momento alto desta edição foi a participação de José Tolentino de Mendonça, que o vasto público felicitou com uma entusiástica salva de palmas, após a sua intervenção. Se ainda não leram obras deste poeta, sacerdote e professor, deixamos aqui algumas sugestões.




 

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